Sento-me na janela e revejo-me em palavras e fotografias antigas. Olho para palavras que disse e que hoje ainda faço delas as minhas palavras. Revejo e volto a rever cada fotografia antiga minha, e nas quais me vejo e me relembro do que era, do que um dia fui. Nas fotografias vejo uma pessoa que sempre ambicionou, que sempre lutou para ter, que sempre fez para ter. Nas palavras vejo desabafos, e talvez sentimentos que escondi e preferi não falar. Quando pela milésima vez as revejo, penso no que sou e no que deixei de ser. Perdi muito e ganhei tanto. Perdi-me naquilo que não valia a pena ter, e ganhei-me naquilo que me deu vontade de viver. Agarrei-me a quem mais temia perder, e larguei aquilo que sempre foi desperdício. Abri os olhos e aprendi a desfrutar cada momento, cada pedaço de tempo, como se fosse o último. E onde está essa pessoa que fui? Pergunto-me e com franqueza digo que nem eu própria sei responder.


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